Censo de 1890 ignorou religiões africanas, mas levou em conta a igreja positivista

O primeiro post da semana da consciência negra é para mostrar algumas estatísticas oficiais do fim do século XIX. Um tempo atrás eu procurei o Censo de 1890 no site do IBGE para ver algumas informações. Várias coisas me chamaram a atenção nesse censo, uma delas é a a seção sobre os cultos. Apesar de ter sido feito depois do fim da escravidão, o censo não permitia a declaração de religiões de matriz africana. As únicas opções eram se declarar católico (romano ou ortodoxo), protestante (evangélico, presbiteriano ou outras seitas protestantes), islamita, positivista ou sem culto:

Censo 1890 cultos

Que as religiões africanas ficariam de fora, eu já imaginava. Se hoje em dia elas ainda sofrem preconceito, magina como não era naquela época? Mas o que mais me impressionou foi a inclusão do positivismo. Toda vez que eu passo na frente do templo positivista de Porto Alegre ou no do Rio eu acho que ninguém nunca levou aquilo a sério. Mas em 1890 144 gaúchos e 1.327 brasileiros se declararam seguidores do culto positivista:

Censo 1890 cultos.png

Já no último censo, o de 2010, não apareceu nenhum positivista, mas 1,47% dos gaúchos declarou a umbanda ou o candomblé como religião. É o estado brasileiro com a maior participação das religiões de matriz africana, bem acima da média brasileira (0,31%).

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