Nelson Sargento, Cartola e Antônio Português cantando o dia do trabalhador

Neste primeiro de maio, um samba de Nelson Sargento, Antônio Português e Cartola:

Samba do operário

Nelson Sargento, Antônio Português e Cartola

Se o operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário

Mas como não quer reconhecer
É ele escravo sem ser
De qualquer usurário

Abafa-se a voz do oprimido
Com a dor e o gemido
Não se pode desabafar

Trabalho feito por minha mão
Só encontrei exploração
Em todo lugar

É quase uma aula de teoria do valor em forma de samba. Todo mundo conhece Nelson Sargento e Cartola, mas Alfredo Português, nem tanto. Ele era um fadista do bairro de Alfama, Lisboa, e ex-integrante da Marinha Mercante Portuguesa. Perseguido pelo salazarismo, veio para o Brasil e acabou morando no Morro da Mangueira. Nelson Sargento, afilhado de Português, conta assim a origem dessa música:

O Samba do operário tem um negócio gozado. Era primeiro de maio de um ano qualquer. O Cartola foi lá em casa nós começamos conversar, falar do primeiro de maio e o Alfredo Português falou: “vamos fazer um samba”. Cartola me perguntou se eu faria letra. Eu disse: faço. Depois o Alfredo fez letra da segunda parte eu, abusadamente, fiz música. Nós costumamos dizer que Cartola participou sem querer de um samba de protesto.